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A disparada do dólar pode estar anunciando uma forte tempestade na economia do Brasil


Os brasileiros que voltaram recentemente do exterior e aqueles que se preparam para a tradicional viagem de fim de ano tomaram um susto nos últimos dias. As empresas brasileiras que contraíram dívida em moeda estrangeira e que dependem da compra de insumos importados também viram o panorama financeiro a sua frente mudar radicalmente.

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O dólar se valorizou 15% em relação ao real em apenas um mês, anulando um movimento na direção contrária que havia se prolongado por quinze meses.

No fim de julho, a moeda americana tinha atingido seu menor valor no Brasil desde janeiro de 1999, sendo negociada a 1,53 real. Encerrou a semana passada [referência à penúltima semana de setembro] a 1,84 real. Antes disso beliscou a cotação de 2 reais. [Hoje, segunda, 3, bateu em 1,93.] Não há planejamento familiar ou empresarial que fique indiferente a tamanha oscilação em tão pouco tempo.

Um brasileiro que tivesse viajado para os Estados Unidos e feito compras de 1.000 dólares usando o cartão de crédito teria de pagar 1.702 reais se a fatura vencesse no dia 23 de agosto (a conta já inclui o aumento do imposto que incide sobre o uso do cartão no exterior, anunciado pelo governo há seis meses). Na semana passada, ele seria obrigado a tirar do bolso 1.957 reais.

Salto na dívida das empresas

O salto na cotação da moeda americana fez crescer em 13,7 bilhões de reais o endividamento somado de 240 empresas que são negociadas na Bovespa, segundo levantamento da consultoria Economática (esse montante, que não leva em conta eventual proteção contratada pelas companhias contra as variações no câmbio, equivale a 54% do lucro obtido no segundo trimestre deste ano).

Até mesmo os exportadores, para quem a desvalorização do real é benéfica – porque seus produtos ficam com preços em dólar mais competitivos e eles embolsam mais reais pela mesma quantidade vendida lá fora -, são prejudicados pela incerteza cambial. O sobe e desce das cotações dificulta o planejamento.

O Brasil é um dos países onde o dólar mais ganhou valor, mas o fenômeno é global e está intimamente ligado à percepção de que a crise econômica na Europa e nos Estados Unidos é mais grave do que se imaginava – e a questão é saber quando exatamente ela atingirá seu ápice e quais suas proporções. “Existe um movimento de aversão ao risco, causado especialmente pelo caos na Europa. Fugir de riscos significa sempre comprar dólar”, disse o economista Barry Eichengreen, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Pouca confiança nos líderes mundiais

As lideranças mundiais, reunidas nos Estados Unidos, afinaram o discurso de que estavam prontas para agir, na esperança de acalmar os investidores. Os mercados fizeram ouvidos de mercador. Há temor de uma “doença japonesa” global – referência ao crescimento nulo e prolongado do Japão na década de 90. Está em curso uma profunda crise de confiança na recuperação econômica, não importa que medidas sejam tomadas.

Uma pesquisa do Fórum Econômico Mundial com 1.500 empresários, governantes, dirigentes de instituições e acadêmicos quantificou esse pessimismo: metade dos entrevistados revelou ter pouca confiança tanto na saúde da economia como na capacidade dos líderes mundiais de evitar uma catástrofe nos próximos doze meses. O temor da vez é o de um efeito dominó de calotes de governos europeus, começando pela Grécia, e que isso detone uma onda de quebra de bancos do continente. Mas, há dois meses, a ameaça de não pagar as contas vinha dos Estados Unidos.

Incertezas que abalam a confiança

Tantas incertezas abalam a confiança de quem faz a economia girar. Para o consumidor, a falta de perspectiva no mercado de trabalho o torna o mais conservador possível nos gastos. Para as empresas, não importa que os juros estejam próximos de zero – isso representa custos baixíssimos para tomar crédito e investir -, porque a expectativa de retomada do consumo também é baixa. “O que as pesquisas de confiança sugerem é que as expectativas sobre a economia estão intimamente ligadas às histórias de endividamento excessivo e de perda de responsabilidade de governos e pessoas. E que isso tudo está fora de controle. É o tipo de perda de confiança que pode durar anos”, disse o economista Robert Shiller, da Universidade Yale, em artigo sobre a crise.

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