Busca:

Após acordo dos EUA, o mercado deve levar câmbio a R$ 1,50


O fim da crise política nos EUA não deve solucionar seus problemas fiscais no curto prazo, tanto que o Barclays Capital trabalha com um cenário segundo o qual agências internacionais de rating devem reduzir no curto prazo a nota da dívida soberana do País, comentou de Nova York, o economista-chefe para Brasil do Barclays Capital, Marcelo Salomon.

INF11

A instituição acaba de reduzir as perspectivas de crescimento americano, de 2,5% para 1,7% neste ano e de 3,4% para 2,4% em 2012. “Com algum grau de melhora na situação da Europa, é possível esperar que a cotação do euro ante o dólar atinja 1,50 em três meses”, comentou. Nesse contexto, ele avalia que a relação rentabilidade e risco deve continuar bem vantajosa para investidores internacionais que aplicam capitais no Brasil, o que, segundo ele, pode levar o câmbio para R$ 1,50 até novembro.

 

Para Salomon, a tendência de continuidade de valorização do real ante o dólar é muito provável no próximo trimestre, pois investidores devem escolher ativos de melhor qualidade, como os relativos ao Brasil e Coreia do Sul, para aplicar seus recursos em momentos de muitas incertezas sobre o cenário para a economia americana e europeia. “Se não ocorrer um corte de US$ 4 trilhões das despesas dos EUA, a Standard & Poor's já disse que deve fazer um downgrade do rating soberano do país”, comentou.

Por outro lado, caso ocorra de fato uma redução drástica das despesas do Orçamento em Washington, Salomon aponta que isso pode causar uma queda adicional do vigor do PIB dos EUA no médio prazo. De acordo com o Barclays Capital, a expansão de 1,7% neste ano e de 2,4% em 2012 do produto interno bruto podem ser revistas e ficarem ainda menores com o corte de despesas oficiais nos EUA, que devem ser definidos pelo Congresso nos próximos dias.

Segundo Marcelo Salomon, a situação dos EUA é delicada porque uma eventual revisão do rating soberano do país lança a possibilidade de que na seqüência instituições financeiras e empresas poderão ter também suas notas reduzidas pelas agências internacionais. Em sua opinião, a partir de diminuição dos ratings de tais instituições privadas, fica uma dúvida se serão solicitadas mais garantias por parte de credores, o que pode gerar um movimento maciço de compra de Treasuries. Ou seja, a crise americana pode gerar no curto prazo o paradoxo de elevar a demanda por títulos do Tesouro, o que deve reduzir num primeiro momento os juros de tais papéis, entre eles os que vencem em 10 anos.

Salomon destaca também que a situação da Europa não está nada tranqüila, pois as incertezas de investidores estão afetando com vigor os preços dos ativos da Itália, que é a terceira economia mais forte da zona do euro. Hoje ocorreu queda vigorosa das ações de bancos italianos devido a dúvidas sobre a lenta expansão da economia do país e eventual queda da rentabilidade de tais instituições financeiras. Em virtude desse fato, a Bolsa de Milão chegou a registrar queda de 3,10% nesta segunda-feira.

Em meio a tantas dúvidas sobre o cenário econômico nos EUA e Europa, Marcelo Salomon aponta que tem fundamento a decisão do Banco Central no Brasil de sinalizar que vai diminuir o ritmo do aperto monetário. Ele espera que o Copom vai elevar a Selic em mais 0,25 ponto porcentual no dia 31 de agosto e a partir daí deve manter a taxa estável em 12,75% até o final de 2012. O economista acredita que o IPCA deve fechar em 2011 no teto de 6,5% e deve diminuir para 5,6% no ano que vem. O País, segundo ele, deve crescer 3,8% neste ano e apresentar um desempenho pouco superior no ano que vem, pois deve avançar 4,2%.

Post Relacionados

Sem comentários

RSS de comentários.

Comentários encerrados

Condiciones de uso de los contenidos | Responsabilidad

| Canal Brasil