Busca:

Dólar encarece custo da produção da soja


A ascendência do dólar durante o mês de setembro trouxe impacto a todas as atividades lastreadas nesta moeda, elevando custos e reduzindo receitas. No caso da sojicultura mato-grossense, a projeção de custos para o plantio da safra encareceu 7,3% na comparação com a cotação média da moeda norte-americana em maio contra a observada no mês passado. A diferença percentual, na prática, pode impor um desembolso adicional de cerca de R$ 800 milhões.

Conforme estimativa de custo de produção elaborada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em um intervalo de quatro meses, maio a setembro, a base média do dólar para mensurar o custo de plantio de cada hectare de soja, em Mato Grosso, passou de R$ 1,61 para R$ 1,74. Essa variação carregou para cima o dispêndio do sojicultor que em maio teria de desembolsar R$ 1,64 mil para plantar um hectare e em setembro subiu para R$ 1,76 mil. Esse custo é o resultado da soma dos valores que o Imea apontou para cada uma das cinco regiões pesquisadas e dividido por cinco para se ter um valor médio, já que entre as diferentes porções do Estados existem investimentos maiores e menores.

Arredondando as projeções do próprio Imea para o tamanho da área plantada, que pode contabilizar até 6,78 milhões de hectares neste ciclo, o investimento total dos sojicultores nesta safra pode revelar uma diferença superior a R$ 800 milhões. Com um custo de produção de R$ 1,64 mil por hectare (maio), o investimento na safra mato-grossense somaria R$ 11,11 bilhões. Reajustando para a taxa de câmbio de setembro, o custo por hectare a R$ 1,76 mil, a safra passaria a custa R$ 11,93 bilhões.

Pelos números deste levantamento de setembro, por exemplo, Sorriso (460 quilômetros ao norte de Cuiabá) terá o maior custo de produção, R$ 1,82 mil por hectare e Sapezal (460 quilômetros ao noroeste de Cuiabá) demandará o menor investimento, R$ 1,70 mil.

Observando apenas o item insumos, que engloba sementes, fertilizantes e defensivos, até o momento parecem ser os mais afetados pelo câmbio. O desembolso médio (respeitando as variações de cada região) foi de R$ 829 por hectares em maio para R$ 923 ha, em setembro, alta de R$ 94, ou, de 11,33%.

Mesmo com o plantio em andamento, o que permite pensar que todos os insumos estariam adquiridos e que por isso a variação cambial não afetaria mais o custo total da sojicultura 11/12, existem outras operações e investimentos que serão realizados na medida em que a lavoura for se desenvolvendo como transporte, armazenagem, assistência técnica e mão-de-obra. Todos poderão apresentar novos valores até o fim desta temporada, em abril de 2012.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT), Glauber Silveira, destaca que nesta nova temporada há a incorporação de hectares de pastagem degradada e que isso leva a uma produtividade menor e maior investimento por parte do produtor. “Somente para a conversão de um hectare de pecuária em agrícola são necessários como investimentos diretos, isso quer dizer, no solo apenas, R$ 1,5 mil e o retorno virá somente em cerca de seis anos”. O plantio nesta nova fronteira agrícola do Estado, ao leste no Vale do Araguaia, onde há expectativa de incorporação de 300 mil hectares, elevará o custo final desta safra. Outro fator determinante será a evolução do dólar nos próximos meses.

 

Post Relacionados

Sem comentários

RSS de comentários. TrackBack URI

Deixe um comentário

XHTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Condiciones de uso de los contenidos | Responsabilidad

| Canal Brasil