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Maior seqüência de altas do dólar desde 1999


Em mais um dia de instabilidade nos mercados internacionais, o dólar comercial emplacou ontem o décimo dia seguido de valorização, fechando a R$1,724, no maior valor desde 29 de novembro de 2010. É a maior seqüência de altas desde janeiro de 1999, quando houve a maxidesvalorização do real e o câmbio passou a ser flutuante no país. Pela primeira vez desde dezembro, o Banco Central (BC) não entrou comprando moeda no mercado à vista.

Dolar-cotizacion

O movimento de alta também já pode ser sentido no câmbio turismo, que foi vendido ontem no Rio a R$1,83, a maior cotação desde 10 de dezembro (R$1,84). Um mês e meio atrás, a moeda era encontrada a R$1,65.

Segundo especialistas, a combinação do cenário de aversão ao risco por causa da crise da dívida na Europa, com a inesperada decisão do BC de cortar em 0,5 ponto percentual a taxa básica de juros (Selic), agora em 12%, e a medida de taxação das operações no mercado futuro de dólar ajudam a explicar o prolongado movimento. No mês, a moeda americana acumula alta de 8,22%, em nove pregões.

O dólar se valorizou ontem frente a maioria das moedas. No mês, porém, o real segue sendo a segunda moeda que mais perde para a divisa americana, entre 16 acompanhadas pela agência Bloomberg News. Apenas na Suíça o dólar subiu mais neste mês, após a definição de um piso para o franco suíço.

Segundo a economista-chefe do BNY Mellon ARX, Solange Srour, com a queda na Selic, as aplicações de curto prazo de estrangeiros no Brasil ficam menos vantajosas:

– O retorno das aplicações na moeda brasileira está mais parecido com as de outros países.

De acordo com o diretor-executivo da NGO Corretora, Sidnei Nehme, a atuação dos bancos contribui para potencializar o ambiente internacional de aversão ao risco. Os bancos inverteram suas posições no mercado futuro e agora estão apostando mais na alta do dólar. Na terça-feira, os contratos que projetavam valorização da cotação (incluindo dólar futuro e cupom cambial) superavam os que previam queda em US$3,018 bilhões, segundo os últimos dados disponíveis da BM&FBovespa.

Os investidores estrangeiros também vêm diminuindo suas apostas na queda do dólar. Na terça-feira, os contratos que projetavam a desvalorização da moeda superavam os que previam a alta em US$11,813 bilhões. Na sexta-feira passada, o saldo estava em US$15,590 bilhões, contra US$19,5 bilhões no início de agosto.

O movimento dos bancos, diz Nehme, compensa o fluxo positivo de dólares para o país no início deste mês, segundo dados divulgados pelo BC ontem. O fluxo cambial foi positivo em US$8,12 bilhões até o dia 9.

– Os exportadores estão mantendo o fluxo de dólares para o Brasil – diz Nehme.

Até o fim do ano, porém, Nehme prevê que o fluxo positivo de recursos para o Brasil poderá trazer o dólar de volta para baixo. Isso estaria inclusive entre as apostas do mercado, pois exportadores estão trazendo seus dólares para o país e os importadores estão adiando o pagamento dos contratos.

– Isso mostra que o mercado vê o movimento de alta como pontual – sugere Nehme.

Bolsas europeias resistem a rebaixamento de bancos

No mercado de ações, a sequência de altas do dólar ajudou a turbinar os setores exportadores, com a siderurgia à frente, segundo alguns analistas. O Ibovespa, índice de referência da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), fechou positivo em 1,34%, a 56.286 pontos.

De novo, investidores atuaram na expectativa de uma solução para o problema do endividamento da Grécia – de olho em teleconferência entre líderes de Alemanha, França e Grécia, que resultou na reafirmação da permanência dos gregos no euro.

Na Europa, as bolsas resistiram em alta, apesar do rebaixamento da nota de crédito dos bancos franceses Crédit Agricole e Société Générale pela agência Moody”s. Paris avançou 1,87%. Fecharam ainda em alta Londres (1,02%), Frankfurt (3,36%) e Milão (2,69%).

As oscilações na Bovespa seguiram Wall Street, onde o Dow Jones avançou 1,27%, o S&P 500 ganhou 1,35% e o Nasdaq teve alta de 1,60%. O Departamento de Comércio americano divulgou dados sobre vendas no varejo, que vieram abaixo do esperado por analistas, mas não influenciaram muito.

No cenário doméstico, a disputa pelo controle da Usiminas voltou a influenciar as cotações. A agência Bloomberg News divulgou que a Nippon Steel, uma das controladoras da empresa, estaria disposta a comprar as fatias da Camargo Corrêa e do Grupo Votorantim, impedindo a investida da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). As ações PN (preferenciais, sem direito a voto) da Gerdau avançaram 3,91%, a R$14,36, e da Usiminas subiram 3,50%, a R$14,36. Já a CSN PN subiu 2,35%, a R$15,67.

A ação ON (ordinária, com voto) da fabricante de aviões Embraer foi a maior alta do Ibovespa (4,93%, a R$11,07). A Petrobras PN subiu 0,98%, a R$20,52, enquanto a Vale PN avançou 1,42%, a R$42,15.

Segundo Pedro Galdi, analista da SLW Corretora, o setor de siderurgia também foi beneficiado pela alta no dólar, uma vez que o câmbio passa a favorecer as exportações. O mesmo ocorre com o setor de petróleo e mineração.

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  1. […] de reformas que pretende adaptar EFSF (Fundo de Estabilidade Financeira Europeu) às demandas da crise na região manteve os investidores atentos. A decisão, no entanto, foi rejeitada no final do dia. […]

    Pingback por Dólar cai pelo sexto dia consecutivo — 31 de outubro de 2011 #

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