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Para analistas, pacto cambial entre China e Japão é "simbólico"


A China e o Japão vão promover o uso de suas moedas para o comércio e os investimentos, segundo os termos de um acordo que, na opinião dos analistas, é, em grande medida, uma iniciativa tão simbólica quanto econômica na descrição dos detalhes.

Dollars funnel.As duas economias asiáticas informaram que querem reduzir os custos e os riscos incidentes sobre suas empresas – um apelo implícito em favor de um grau de dependência menor em relação ao dólar, atualmente seu meio de troca dominante.

O Japão também confirmou seu plano de comprar bônus do governo chinês – a primeira vez em que reúne títulos denominados em yuans às suas reservas cambiais.

Analistas dizem que o acordo poderá ajudar a impulsionar o papel do yuan na Ásia e em âmbito internacional, mas que ele se constitui em apenas um dos muitos passos minúsculos dados por Pequim para elevar o status de sua moeda. Ponderaram também que a posição do dólar como a principal moeda de reserva mundial permanece inabalável por enquanto.

“Trata-se de uma medida simbólica. Antes o Japão tentou promover o iene como a moeda única internacional da Ásia, por isso a iniciativa será vista com bons olhos pelo governo chinês”, disse o economista Shen Jianguang, da Mizuho Securities.

Embora os fluxos comerciais entre China e Japão tenham disparado, a cooperação política formal entre os dois países continuou engessada por tensões decorrentes de disputas territoriais e por feridas históricas.

Os dois países disseram que o acordo financeiro, firmado após a visita do primeiro-ministro do Japão, Yoshihiko Noda, a Pequim no dia de Natal, pretende fomentar maior cooperação e estabilidade. Levará tempo, no entanto, para avaliar se o pacto entre os dois países será significativo na esfera econômica.

Embora notícias divulgadas pela mídia chinesa engrandeçam a promessa de estimular o uso das próprias moedas dos dois países para acertar as contas do comércio bilateral, isso já vem sendo possível desde a reforma empreendida por Pequim, em meados de 2010. Mas a parcela do comércio bilateral que vem sendo quitada entre o iene e o yuan é tão pequena que inexistem dados estatísticos oficiais responsáveis pela aferição desses fluxos.

Na compra de produtos do Japão, as empresas chinesas convertem seus yuans em dólares, uma vez que seus parceiros japoneses ainda relutam em aceitar a moeda chinesa. As empresas japonesas, na mesma medida, convertem seus ienes em dólares ao comprar da China.

O principal obstáculo à promoção desse intercâmbio vinha sendo a relutância da China em relaxar seus controles sobre a conta de capital de seu balanço de pagamentos, o que significa que as empresas estrangeiras que recebem sua moeda não têm onde investi-la, além da base “offshore” do yuan representada por Hong Kong.

Liang Meng, pesquisador do Banco do Povo da China, reconheceu que a promessa de fechar mais negócios em yuans representará, por si só, pouca mudança. “Não se assemelha aos livres fluxos mundiais de dólar. Para investir na China ainda tem-se de passar por canais intermediários”, disse ele no jornal do Ministério do Comércio.

O Japão também tentou minimizar a importância de seu plano de comprar até US$ 10 bilhões em bônus do governo chinês. Um alto funcionário do governo chinês, cujo nome não foi mencionado, teria dito, segundo a mídia chinesa, que o acordo foi uma manifestação de cooperação econômica, não uma tentativa de diversificar as reservas cambiais do país.

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